Não sou contra nem a favor. Para mim, qualquer oportunidade é boa para celebrar o amor e se as pessoas precisam de dia marcado no calendario, assim seja. Eu celebro o dia em que começamos a namorar e o dia em que nos casamos como os outros celebram o Dia dos Namorados. São datas mais pessoais, mas que têm mais significado para mim. Aposto que na segunda-feira vai ser o dia dos queixumes nos escritórios, porque ele não disse/fez/pensou a coisa certa no momento certo, porque as flores estavam murchas, porque o restaurante era foleiro, porque ela estava cheia de sono, porque os motéis estavam cheios e o pirafo teve mesmo que ser dentro do carro à beira-mar como antigamente…
Há pessoas que apenas se conseguem expressar neste dia. Algumas por obrigação, outras por timidez. Tive dias de namorados bem chatos. Previsíveis, com o guião todo escrito. Desde restaurantes caros aos quais eu não queria ir ao meu perfume favorito, que eu estava já fartinha de usar. Dos presentes caros para tapar os problemas e as faltas de comunicação ao desprendimento total. No entanto, nunca usei este dia para fazer balanços de relação. Era apenas mais um dia em que os podres vinham acima e se mostrava a pobreza do relacionamento em questão.
Doeu-me muito mais que um namorado que tive não fosse às minhas festas de aniversário para ver filmes na TV do que apreciei os postalinhos que me escrevia neste dia, com as balelas do costume. Não guardei nenhum. Aliás, no fim de cada relacionamento, tratei de deitar fora toda a parafernália supostamente romântica com que fui presenteada. Fazia uma fogueirinha no quintal e fartava-me de queimar bonecos a dizer You’re my Valentine, num acto de fé muito pouco romântico, mas libertador.
Não gosto de ramos de flores pirosos, de ursos de peluche, de postais com corações apenas porque sim. Gosto de coisas dadas do coração, nem que seja um arroz doce com um coração desenhado a canela por cima (sim, por estas coisas é que eu casei com este e não com um dos outros). Pode até ser uma almofada em forma de coração do centro comercial, mas que haja mais para além disso – senão, não há quem aguente.