Eles andam por todo o lado

Eis que resolvo mudar de escola de condução porque esta fica aqui mesmo ao lado e tem um sistema diferente da anterior, na qual só pude pôr os pés duas vezes. Eu sei que as pessoas acham estranho que eu não arranje tempo para ir à condução, mas gostava de ver muita gente a ter que administrar um pequeno negócio no qual faço tudo (até trabalhar).

A nova escola de condução é da Abília, sevilhana neta de transmontanos (nota-se pelo nome). Estou eu a fazer testes (e só falho cinco respostas em trinta com duas aulas, o que não está nada mal) e aparece-me um professor de condução português, que afinal até é aqui meu vizinho e é de Aveiro. Estava eu tão bem sem conhecer a comunidade portuguesa cá do pueblo (que consiste em duas famílias, a minha e a dele) e agora tenho que levar com emigrantes queixosos, que não estão bem com nada a não ser com o dinheiro que ganham.

Porque há muitos ciganos, porque as pessoas do sul são falsas, porque se dorme a siesta, porque não se janta às oito da noite, porque os meninos lá da escola são menos espertos que o português júnior que tira 10 a tudo, porque isto é uma vila pequena e não há distrações… C’um raio. Ao fim de uma hora de desabafos, só me perguntava a mim mesma se vale a pena largar a sua amada pátria para invadir a pátria alheira, ganhar dinheiro e ainda se queixar de tudo… Eu chamo a isto cuspir na sopa. Não sei por que é que esta gente não emigra para a Alemanha, onde há alegres comunidades lusas, bairros lusos, restaurantes lusos e podem partilhar queixas com outros emigrantes descontentes. É que eu adoro viver aqui, não tenho um Audi A5 como eles, mas tenho coisas mais importantes na minha vida: fico muito contente por me ter integrado e por ter sido sempre tão bem tratada, gosto que o meu filho seja uma criança multi-cultural e não acho mesmo nada que as pessoas daqui é que sejam burras, como diz o senhor aveirense… talvez dediquem menos tempo a aprender coisas teóricas, mas o que é certo é que não são eles que têm que emigrar para ganhar a vida…

Enfim, não tenho a mínima paciência para emigrantes saudosistas e mal-agradecidos. O dinheiro compra mesmo muitas coisas, mas não os faz engolir a língua. Acho que a Casa de Portugal de A. del Río não vai chegar a existir, se depender de mim e deles.

7 Respostas para “Eles andam por todo o lado”

  1. Pelo menos és capaz de ter a carta assegurada, não? Pelo sim pelo não diz mal dos ciganos e dos espanhóis até ao exame… ;)

    Beijoca e um grande RAUF para ti!

  2. Onde quer que vás vais sempre encontrar alguém que só sabe dizer mal. Seja em Portugal ou em Espanha. Há pessoas que pura e simplesmente nunca estão contentes com nada, estejam onde estiverem. Não ligues e concentra-te na carta de condução! :D :D (Espero nunca me arrepender de dizer isto. :d)

  3. Acho a situação muito perturbadora…

    Primeiro, porque se fosse há 10 anos atrás não admitirias ter errado 5 questões.
    Segundo, porque deste razão às minhas desconfianças: o crescente número de acidentes rodoviários em Espanha tem uma base. Há instrutores portugueses a minar as estradas espanholas!!!

    Be afraid…be very afraid… ;)

  4. Epá… eu costumo dizer que mesmo que tenha o perfume mais caro do mundo em cima… uma poia é sempre uma poia. Resta saber do que é que esse senhor se iria queixar se por acaso fosse visitar a terra natal.

    Gostei do segundo ponto mencionado pelo Karl Macx LOL

  5. Gostei especialmente da invasão da pátria alheira!…
    Não me cai bem que os imigrantes digam constantemente mal da terra que os acolheu, embora, pelo menos aqui em Portugal, muitas vezes tenham razão…

  6. Eu que ja trabalhei em aveiro algum tempo, posso dizer-te que a minha experiencia com aveirenses nao foi melhor… e eles estavam na terra deles. Gente coscuvilheira, que se intromete na vida dos outros e que se sente no direito de fazer julgamentos sobre a tua pessoa publicamente e nas costas, quando nem te conhecem. As piores cabronices que me fizeram na vida, vieram de la. Tem cuidado.

    A mim chamaram-me vendida quando eu elogiava os Estados Unidos e o povo americano. “Como podes tu defender um pais de capitalismo selvagem que deixa os pobres morrerem ‘as portas do hospital? Que invade paises alheios por questoes puramente economicas? Cujo povo e’ ignorante e castrador?” etc etc…

    So que foram os americanos a reconhecer-me valor e a dar-me bolsas de estudo; foram eles que, sem me conhecer, me arranjaram casa, moveis e carro; foram eles que me acolherem de sorriso aberto e me deram todas as oportunidades que a patria-mae nunca me deu. Tudo isto sem cunhas, sem conhecimentos, sem luvas… baseado apenas no merito do trabalho e na simpatia reciproca.

    Claro que a saudade das coisas que te sao queridas bate… e tendes a esquecer-te das coisas mais que passavas em casa para so recordar os tempos idilicos… e agora que vives fora, ves o lado negro que toda a terra tem. Mas regressamos e so temos vontade de sair de novo… porque a verdade e’ que somos insatisfeitos por natureza, somos pessimistas e alarmistas, somos um povo chateado e que gosta de chatear os outros tambem. Nem em Portugal somos felizes. Isso ve-se bem pelo conteudo tipico de um blog pessoal portugues, vs um ingles ou brasileiro ate. No estrangeiro, apenas temos um bode espiatorio mais facil.

    Beijinho

    PS – O KarlMarx esta na mouche!

  7. É o fado lusitano. Se não estamos mal, temos que arranjar maneira de estar. Só estamos bem a queixarmo-nos. Foge dessa gente.

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