Há um ano atrás, o meu pai deu-me a notícia. Com a voz engasgada. Lembro-me que me sentei no meu antigo sofá azul e chorei durante uma hora. No fundo, sabia que era o fim do sofrimento. No fundo, todos estávamos à espera. No fundo, foi melhor assim. No fundo… doeu-me tanto que, um ano depois, ainda dói como se tivesse sido ontem.
Não passa um dia sem que me lembre dela. Não me acontece nada que não tenha vontade de lhe contar. Ainda me lembro da voz, do cheiro, do olhar. Não é por fazer hoje um ano que tudo vem ao de cima. É exactamente porque passou um ano da minha vida que não pude partilhar com ela, que foi a melhor amiga que alguma vez tive.
Se eu pudesse chorar todas as lágrimas que tenho dentro, encheria um rio. Não a esqueci. Nunca a esquecerei. E este dia ficará sempre na minha memória como o dia em que percebi finalmente o que é a saudade.
Hoje ouvi a mesma música que há um ano atrás e as lágrimas, essas, ainda são as mesmas. Mesmo que me digam que, lá na nuvem onde moras, me consegues ver, eu queria tanto ter-te aqui ainda. Este ainda não foi o meu último adeus.
“One last goodbye” – Anathema
How i needed you
how i bleed now you’re gone
in my dreams i can see you
but i awake so alone
I know you didn’t want to leave
your heart yearned to stay
but the strength i always loved in you
finally gave way
Somehow i knew you would leave me this way
somehow i knew you could never stay
and in the early morning light
after a silent peaceful night
you took my heart away
In my dreams i can see you
i can tell you how i feel
in my dreams i can hold you
it feels so real
And i still feel the pain
i still feel your love
i still feel the pain
i still feel your love
Somehow i knew you would leave me this way
somehow i knew you could never stay
and in the early morning light
after a peaceful night
you took my heart away
i wish you could have stayed
Este artigo foi publicado em Junho 18, 2008 às 8:23 pm, na(s) categoria(s) morte, saudade, vida with tags anathema, avó, morte, one last goodbye, saudade. Pode seguir as respostas a esta entrada através do feed RSS 2.0
Pode deixar uma resposta ou fazer trackback do seu próprio site.
Junho 18, 2008 às 8:31 pm
Não tenho palavras… desculpa, mas tenho essa menos valia… Nunca sei o que dizer nestas alturas!
Sinto-me triste por ti… Tens todos os motivos para te sentir triste e não há nada que alguém te possa dizer que o altere!
Um abraço forte e muito apertado!
Junho 18, 2008 às 9:41 pm
É estranho quando nos revemos nas palavras de outrem…
Tento pensar que estarão num lugar bem melhor… mas onde melhor senão junto de quem lhes quer bem?!
Um abraço e um carinho…
Junho 18, 2008 às 10:51 pm
Blackstar, tu estás aí, todos os dias, a qualquer hora e isso basta.
Escravelho, you know how I feel. Abraço do passarinho.
Junho 19, 2008 às 12:09 am
Qualquer comentário que eu fizesse sobre esse teu sentimento, seria uma intrusão.
Gosto muito, muito, muito de ti Yashmeen…
Junho 19, 2008 às 12:25 am
Lelé, agradeço e retribuo-te na mesmíssimo moeda. Um abraço.
Junho 19, 2008 às 12:51 am
Não imagino sequer o teu sofrimento.
Quaisquer palavras serão despropositadas.
És uma grande mulher e, segundo as tuas palavras, também a tua Avó.
Junho 19, 2008 às 8:34 am
Dizer o quê, se está tudo dito? Um abraço, se servir de consolo.
Junho 19, 2008 às 8:39 am
Como nunca sei o que fazer ou dizer nestas situações, costumo ficar calada. Nunca percebi se é melhor ou pior que dizer um disparate mas pelo menos marcar presença.
Não posso dizer que compreendo, mas lamento.
Junho 19, 2008 às 9:09 am
Um abraço do tamanho do mundo. Do Porto a Sevilha. O calor não esmorece.
Requiem aeternam dona, dona eis, et lux perpetua luceat eis.
Junho 19, 2008 às 10:43 am
Força miúda!! Coragem!! Tudo de bom.
Junho 19, 2008 às 12:05 pm
a avó ?
sem palavras.
Junho 19, 2008 às 4:35 pm
Não posso dizer que faço alguma ideia do que estarás a sentir, porque tenho o privilégio de nunca ter perdido uma pessoa que se equipare à tua avó. Ela foi tudo para ti: avó, mãe, pai, amiga… Sempre te apoiou de forma incondicional.
Posso apenas tentar compreender o vazio que deves sentir por não poderes mais partiilhar as tuas alegrias e tristezas… E tentar amenizar o teu sofrimento com a demonstração do amor que sinto por ti!
És a pessoa que mais admiro! És o meu orgulho priminha!!
***
Junho 19, 2008 às 5:44 pm
Obrigada a todos pelas vossas palavras. Os vossos abraços, mesmo que virtuais, contam muito.
Suse, como minha prima, tenho que me referir a ti directamente. Não é a avó que partilhamos, para que se saiba. Ironia das ironias, este foi um dos anos da minha vida em que me aconteceram mais coisas positivas. Ironia das ironias, ela não estava cá para ver e partilhar. Uma dessas coisas foi descobrir o quanto gostas de mim e o quanto eu gosto de ti, e a importância que tens na minha vida nos conceitos de “família” e “amigos”. Estás no top 10 das pessoas de quem mais gosto nesta vida.
Junho 19, 2008 às 9:35 pm
Dor. Recordo de quando a tua avó faleceu, pois também eu na altura não compreendia, ou melhor não entendia o sofrimento que sentias e continuas a sentir. Não passa nunca. Na impossibilidade de te dizer o que quer que seja que te faça sentir melhor, abraço-te com amizade.
Junho 20, 2008 às 5:45 pm
Nunca se consegue um último adeus… e nem sempre as palavras nos trazem calor a um vazio imenso. Há lugares, no coração, que estarão para sempre ocupados pela lembrança, pela falta e infelizmente pela dor.
Um beijo imenso
Junho 23, 2008 às 9:02 am
As pessoas não são substituíveis e, por muito que nos digam que o tempo tudo cura, às vezes é preciso muito tempo para que a dor se atenue, mas acredito que seja difícil que passe.