Balanços

Recebi um convite para um pequeno-almoço de celebração do fim do ano lectivo do meu filho. Claro que ele tem dois anos e só não irá à escola no mês de Agosto, mas tem a sua piada terem escrito na carta que nos toca a nós levar salgados (salgados para o pequeno-almoço… e se levasse a amarguinha para os putos acompanharem o pastel de bacalhau??).

O balanço deste primeiro ano foi claramente positivo. É um rapazinho sociável e carinhoso, mas que defende o que é seu e que não se fica quando o atacam (a história da dentada, lembram-se?). É irrequieto, vivo e ágil. É um chato do caraças para comer, mas vem sempre da escola com a marmita vazia e o bandulho cheio (uma pena que não sirvam jantares também). Gosta de grão-de-bico com tomate, atum, iogurtes líquidos, calamares à sevilhana, massas e tudo o que tenha muito, muito tomate. Podia ser um bocadito mais sossegado e dormir mais ou, pelo menos, já querer dormir no seu quarto.*

No próximo ano, em Março, tenho que o inscrever no sistema educativo espanhol, que começa aos três anos. Acaba-se o infantário high-tech e passa-se para a incerteza do que lhe sairá na rifa. Não pretendo inscrevê-lo num colégio privado, uma vez que não me garantem qualidade de ensino. Espero conseguir complementar a educação com aulas extra, especialmente de inglês, se a predisposição dele para o estudo mo permitir. E espero que exista essa predisposição para aprender.

A coisa mais difícil de educar um filho é ter que o entregar ao mundo. É não podermos mantê-los debaixo da nossa asa e termos que confiar nas capacidades deles para se defenderem perante a vida. A coisa mais sensata que alguém me disse sobre o assunto foi que “não chega atirar-lhes brinquedos caros para o colo” (foi ela). Pois não. Temos que estar lá quando os brinquedos se partem e para os ensinarmos a brincar. E quando a vida é menos cor-de-rosa, o teste de Matemática não corre bem ou o primeiro amor lhes parte o coração. A vida é tão real quanto isso e, por muitas vidas que queiramos inventar para nós, são esses pequenos detalhes que nos fazem sentir reais.

 

*Espero resolver o assunto com um novo quarto decorado com o Winnie the Poo na casa nova.

“Kamikaze” - Amaral

2 Respostas para “Balanços”

  1. É um caminho longo! Mas tens seguido pelo caminho certo. Brinquedos caros? Na maior parte das vezes uma simples bola faz mais pelos miúdos do que um brinquedo xpto. É importante que as crianças tenham tempo para não fazer nada ou simplesmente fazer o que querem! Continua assim!! Tudo de bom!!!

  2. arya bodhisattva Diz:

    Bem, estarei disponível com toda a minha expertise filial… :P
    .Mas no fundo, é tudo é uma questão de amor. Fazê-los saber que são amados. Não é?
    Não penso que te devias preocupar. Não falhas nas coisas que têm importância. No que é essencial.

Leave a Reply