All the ladies…
Minhas amigas,
Eu nem sou dada a discursos feministas, mas há um tema que me indigna. Há dias, um senhor, que não me vê há dez anos e que me tentou pôr a patita em cima nessa época sem sucesso, fez um lastimável comentário sobre o facto de eu ter mais peso agora que há dez anos atrás. Esse seu comentário fez com que elegantemente o apagasse do meu MSN, porque revela uma pobreza de espírito que não estou para a aturar e, enfim, ele tem o metro e meio de mulher feia que arranjou para chatear. Eu podia ter sido desagradável de volta e ter comentado a sua psoríase ou o mau gosto para vestir, mas não o fiz. Limitei-me a dizer-lhe que não lhe tinha perguntado nada. Fiquei a saber que me disse isso porque “era meu amigo e estava à vontade”. Pronto, está explicado: eu é que não sou amiga dele e não o pus à vontade.
Adiante.
Várias amigas minhas chegadas aos 30 já foram alvo desse tipo de comentários: estás velha, tens rugas, engordaste, o cabelo mais comprido ficava-te melhor… Fico particularmente aborrecida quando ouço alguém brindar uma mulher com estes “mimos”. Estamos a chegar aos trinta. Aos vinte, éramos todas engraçadinhas e frescas. Dificilmente temos aos trinta o corpo que tínhamos aos vinte, se nessa flor da idade tínhamos medidas 90-60-90; é muito difícil que as mantenhamos depois de filhos, anos de trabalho, casamentos, todo um mundo de responsabilidades que enfrentamos. A isso chama-se viver, crescer e amadurecer. E chama-se também o prazer de um bom jantar com direito a sobremesa no fim de vez em quando.
As mulheres de 30 são interessantes, mesmo que mais imperfeitas fisicamente. São mais maduras, perderam grande parte das pancas de adolescente e já sabem qualquer coisa da vida. Está na altura de nos insurgirmos contra este tipo de comparações; eu não troco o corpinho de 20 anos pelo patamar de estabilização interior e exterior que consegui. Eu gosto de mim, da idade de tenho e estou-me borrifando para já não usar camisolas com o umbigo de fora (até estão fora de moda). Os dez quilos a mais que tenho em relação há dez anos são qualquer coisa que gostava de perder (e quem não?), mas que não condiciona a minha vida. Enfim, tenho coisas bem mais importantes com que me preocupar e também não preciso que um despeitado qualquer se preocupe por mim. Há dez anos a minha vida era tremendamente vazia e até se pode ver pelo tipo de idiotas como este que não me largavam. Aliás, creio que os meus pretendentes na altura queriam apenas exibir-me e que teria sido terrivelmente infeliz se me tivesse dado ao trabalho de gostar de algum deles. Dez anos depois, encontrei aquilo que procurava e sinto-me bem, ao contrário destes garanhões frustrados que tiveram que se contentar com aquilo que lhes caiu na sopa. Era uma miúda gira. Agora sou uma mulher.
A gravidez deixa marcas, mas torna-nos mais mulheres. As noites sem dormir mudam-nos as feições, mas dão-nos resistência. A vida obriga-nos a crescer e o corpo envelhece. E depois? Somos as mesmas, talvez menos perfeitas aos olhos de certos homens, mas com mais valor aos olhos dos homens que realmente nos merecem. Merece estar ao nosso lado o homem que nos ama com mais ou menos dez quilos, com mais ou menos rugas, porque é aquele que sabe olhar para dentro de nós. Se não têm elogios para fazer, não abram a boca. É que as mulheres nos trinta têm menos paciência que nos vinte e, normalmente, desenvolveram já a capacidade de largar um “vai à m*rda” a quem acha que todas temos que ser como as trintonas de Hollywood. E, modéstia à parte, eu ainda me sinto tremendamente sexy - venha quem vier dizer o contrário.
A beleza e o aspecto é algo tão fugaz que, se vivermos em função disso, podemos ter grandes desgostos. Conheci um rapaz que, aos 14 anos, perdeu uma perna. Conheço uma mulher que, aos 32 anos, perdeu um peito. Ambos sobreviveram com os seus novos corpos. A vida prega-nos partidas e há coisas bem mais importantes do que perseguir eternamente uma perfeição física que, de hoje para amanhã, se pode desvanecer cruelmente.
Sintam-se bem. Gostem de vocês próprias. Façam as plásticas e as dietas que vos apetecer. Gastem o salário em cosmética. Comam os chocolates que vos apetecer. Ou as saladas de fruta de que acharem que precisam para se sentirem bem. Mas nunca, em circunstância alguma, permitam que alguém vos desvalorize porque envelheceram, engordaram, têm mais brancas ou ganharam pés-de-galinha. Ponham os olhos na senhora aqui abaixo, que está claramente mais velha, mais gorda, mas continua um mulherão. Dizem os entendidos que bem mais interessante que há vinte anos atrás. Ganhem a coragem de mandar à merda quem vos disser o contrário.
“Maria” – Blondie
Maio 18, 2008 às 10:38 pm
Grande verdade, grande Yashmeen
Maio 19, 2008 às 12:16 am
Exactamente. E o mais estúpdo, é que, quem faz esses comentários preocupadíssimos, esquece-se que também não está a ficar mais jovem!…
Maio 19, 2008 às 12:19 am
Chama-se cuspir para o ar e cai-lhes em cima, segundo o filósofo Homer Simpson.
Maio 19, 2008 às 1:52 am
A melhor parte é quando apoias as dietas, os gastos em cosmetica e plásticas. Eu acho a essência da mulher não se perde. Devem fazer tudo o que quiserem para se sentirem bem consigo. Se acham que as brancas lhes dão caracter, que as usem com coragem… se acham que as devem pintar FORÇA! Que vão pelo que sabem que são, pelo valor que têm e não pelo que os outros acham que se deve fazer.
Beijo, gaja de coragem! E felizmente, ainda muito muito muito JOVEM, BONITA E SEXY.
Maio 19, 2008 às 9:30 am
É a verdade absoluta. (Hey, eu já perdi peso, entretanto já pus uns quilitos em cima. O corpinho não está na melhor forma e enfim, só existe um tanto que posso melhorar com exercício e cremes, e só um pequeno espaço de tempo em que isso ainda resulta.)
Todos os anos aprendemos qualquer coisa, sobre nós e sobre os outros. Como podemos deixar de gostar de envelhecer?
Maio 19, 2008 às 12:31 pm
Não cheguei aos 30, mas as cicatrizes quer físicas quer emocionais já me atingiram em cheio e me fazem ser ainda mais seletiva. É pra divertir vamos, mas só se eu permitir. Pros demais apenas boa educação.
Maio 19, 2008 às 2:36 pm
Qual ser feminista qual quê!
Que belo texto, fantástico!
Disseste tudo!
Eu atrevo-me a dizer que me senti muito sexy nesta minha gravidez
:-*
Maio 19, 2008 às 6:52 pm
É bom ver todas as senhoras que estão a chegar, já chegaram ou passaram os trinta concordarem comigo.
Maio 20, 2008 às 6:06 am
Amen!
Maio 20, 2008 às 11:43 am
Já passei os 30 e não só…
Estou o mais possível de acordo contigo!!! Não é à toa que se lê e ouve tanto por aí que a vida começa aos 30
Maio 20, 2008 às 2:22 pm
Belo texto, estou contigo! Tambem tenho peso a mais, e psoriase…
Maio 20, 2008 às 5:37 pm
Nem mais! Nem sabes como as tuas palavras reflectem o que penso e como elas me fizeram bem! Obrigada.
Maio 20, 2008 às 5:55 pm
Eu já passei, os 20 e os 30. Estou quase a fazer 44 e acho que todas as idades são uma benção de ser vividas. Apenas quem olha para o aspecto exterior se preocupa com a idade e nunca entendi a “paranóia” de certas mulheres em não querer dizer quantos anos têm, como se tivessem vergonha da maturidade que adquiriram. Pode-se ser sexy em qualquer idade e acima de tudo com regueifinhas a mais e uma data de rugas. Eu tenho orgulho nos meus 43 anos! Tanto trabalhinho me deu para adquirir esta tranquilidade Zen perante os problemas, ia lá querer ter menos idade…! Nem pensar!
Maio 20, 2008 às 6:29 pm
Manifestem-se, senhoras!! É bom saber que há menos escravas da idade e da opinião dos outros que aquilo que se diz por aí.
Maio 23, 2008 às 5:37 pm
Bem dito,eu tenho 50 e sinto-me magnifica
Ela também é do meu tempo e é e contínua espantosa,ele há homens que são uns grandes idiota !…