Para a Maariah…
Todos os dias, antes de adormecer, fecho os olhos e penso nela com força. Recordo cada detalhe, desde o cheiro à força do abraço. Já lá vai quase um ano, mas quero-a viva dentro de mim. Tenho-a no meu sangue, no meu coração, na imagem que me devolve o espelho. Está comigo, sem que eu lhe possa tocar. E não há maior dor que esta. Lembro-me do último abraço que lhe dei. Repito uma e outra vez esse momento, em que ela me disse que não nos voltaríamos a ver. Todos os dias, guardo uns momentos do silêncio da noite para pensar nela. E não me consigo conformar, mas consigo que a memória dela não murche.
Maio 13, 2008 às 6:26 pm
Também me deito todos os dias e penso na minha avó. E esta semana dou por mim a pensar nela ao longo do dia. É também para ela que vão os meus pensamentos de manhã. Custa-me muito recordar a última vez que a vi. Vi-a envelhecida, como nunca foi, disse-lhe “Até Amanhã” pois no dia seguinte iria vê-la de novo. Lembro-me do gesto para me dar um beijo. O último. Uma amiga dizia que com o tempo a dor amenizava e eu me conformava. Dizes que não. Eu acho que não. Presumo que habitue a este vazio. Agora, sendo tudo muito recente, dou por mim a ver cada acção minha como a primeira vez que faço algo sem ter a minha avó, seja coisas tão simples como comprar uma camisa ao meu avó. Preta para o luto. Ligava-lhe a perguntar o número, a cor, qualquer coisa.
Obrigada pelo gesto.
Maio 13, 2008 às 6:58 pm
A memória honra quem no-la ocupa. E é só o que resta quando mais nada pode ser feito. Mas é triste, conheço a sensação, embora preferisse não a conhecer.
Maio 14, 2008 às 12:22 am
É triste e não é passageiro, também porque não queremos. São pessoas que nos aquecem, mesmo sem estarem já connosco e nós precisamos desse calor.
Maio 14, 2008 às 5:09 pm
Perdi a minha avó quando tinha 18 anos e lembro-me dela constantemente. Era a minha amiga, confidente, protectora e tinha um colo enorme para me acolher. Cada vez que a recordo sorrio, pois é como se estivesse junto a mim!
Aquele abraço infernal!
Maio 14, 2008 às 5:36 pm
Não sei como é contigo, mas é nos dias de Sol que mais me lembro da morte. Acho que Verão e Morte são para mim o mesmo, ou então é porque a minha nóia piora no Verão. Sei lá, qq coisa.
Beijinhos e prá malta.
Maio 14, 2008 às 5:37 pm
… Os vivos ausentes, não é muito diferente.
Maio 14, 2008 às 5:38 pm
O sol seca e mirra. A chuva faz nascer e renascer. Partilho esse sentimento.