A escravidão do bronzeado

As japonesas usam, em média, nove produtos diários de limpeza e tratamento do rosto. Segundo um estudo da Shiseido, as raparigas japonesas começam a ter preocupações com a pele do rosto por volta dos doze anos. Trazem sempre uma loção hidratante na mala, protegem-se do sol e zelam pela brancura da sua cútis, evitando assim manchas e envelhecimento precoce. Normalmente envelhecem muito bem, praticamente sem rugas e com uma pele imaculada. Branca e imaculada.

As ocidentais desgraçam-se com a moda do bronzeado. Desde os anos 80 que a ideia é ficar douradinha como uma fartura da festa lá da terra ou negra como um tição. Vale tudo: desde as loções tropicais com cheiro enjoativo até às loucuras como Coca-Cola e óleo Johnson, porque diz a voz popular que o protector solar não permite ficar bronzeado.

O mulherio corre a estender-se ao sol mal aparecem os primeiros raios. Muitas nem gostam de praia; gostam é de pensar que escondem as mazelas e que as borbulhas desaparecem por magia com uns banhos de sol. É mentira; o sol até pode disfarçar temporariamente as mazelas, mas elas voltam e a triplicar.

As consequências estão à vista: cancros de pele, mormo, manchas feíssimas, rugas que nem o cirurgião plástico resolve e o aspecto generalizado de ameixa seca antes dos 40. No entanto, muitas consideram que o bronzeado vale a pena porque dá um “ar saudável” e “nos faz parecer mais magras”. A própria Lili Caneças admite que teria evitado aqueles peelings todos se não se tivesse estendido ao sol como uma osga quatro vezes por ano durante décadas.

Minhas amigas: a pele branca também é saudável e bonita. Eu gosto muito da minha e faço-a reluzir. Muitas vezes, ponho-a mais branca ainda ou dou-lhe um tom mate com pós translúcidos. Se me apetece um ar mais bronzeado… toalhitas bronzeadoras e fico tão dourada como se tivesse passado quinze dias nas Bahamas. Não vale a pena o sacrifício dos escaldões, solários e insolações apenas porque ser bronzeado é que é bonito. Os pós bronzeadores (normalmente em pequenas pérolas que se usam com um pincel grande) conseguem criar pontos de luz que iluminam o rosto. Uma pele de porcelana é um património a conservar.

Podemos valorizar o que temos de melhor, sem forçar demasiado a natureza e sem loucuras. A saúde agradece e a beleza também. Bronzeado em troca de pés-de-galinha? Não, obrigada!

 

4 Respostas to “A escravidão do bronzeado”

  1. Léle Diz:

    Esturricar ao sol é uma desgraça para tudo, como dizes. Mas apanhar sol, com as devidas precauções, é muito bom para os ossos.

  2. AEnima Diz:

    Pois eu gosto de praia… melhor… gosto do mar. Há anos que não vou, mas se vou, não me importo de ficar bronzeada. FActor 50 na cara por causa das sardas e 20 no corpo, mas tenho já tendência para ficar morenita. Não atino mesmo é com os solários… mas quem quer ficar com cancro de pele??? Eu, como fumadora, não devia criticar, mas não acho bonito nem saudável.

    São os indianos a por cremes para aclarear a pele e nós a estragarmos o que temos… vá-se lá perceber. Quando era loira queria ser morena, agora que sou morena queria ser loira… é da natureza humana não se estar satisfeito com o que tem. I guess…

  3. Yashmeen Diz:

    Lelé, as vantagens do sol para os ossos são enormes; contudo, os médicos não recomendam mais de uma hora por dia se o objectivo é a assimilação da vitamina D.

    Aenima, gostar de praia não implica parecer uma osga estendida na toalha até já não poder mais… eu também gosto mais de mar que de praia. Tu és branquita e tens essas sardas giras, o que é uma combinação excelente :D

  4. Cigana Diz:

    Como em tudo, é preciso bom-senso. Eu fico logo morena e é um prazer ir à praia e estar ao sol. Contudo, respeito os “horários proibidos”, e claro que uso sempre protector solar.
    Estar a grelhar ao sol até apanhar um escaldão ou ficar coberta de sinais e de manchas, são coisas que me fazem impressão, mas felizmente não me dizem respeito.

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