Marcas de guerra

O Paquito chegou a casa ontem com uma marca de uma dentada na bochecha. Era assim grande, mesmo com os dentinhos lá marcados e marquinhas de sangue seco. O Paquito pai explicou-me por alto que tinha sido uma briga com outro miúdo lá no infantário, mas eu liguei à educadora para esclarecer a história.

Começou por se desculpar muito e por declarar que não podia dizer o nome do outro miúdo, para não criar conflitos entre os pais. Aparentemente, o outro miúdo anda com um problema de agressividade. No dia anterior, tinha atacado outro coleguinha e anda insuportável não se sabe bem porquê. Investiu para cima do meu Paquito para lhe tirar um brinquedo e, não conseguindo tal feito, vai-se a ele com os dentes. Acontece que o Paquito lhe deitou as mãozinhas ao pescoço e só o largou quando a educadora os separou. O meu veio com uma dentada para casa, o outro foi com o pescoço amolgado e cheio de arranhões. O Paquito não deitou uma lágrima e agiu em legítima defesa, segundo a educadora (que, lá fundo, até parecia achar que foi bem feito o outro ter levado uns apertões que ela, em nome da ciência e da pedagogia moderna, não lhe pode dar), e a criança transtornada parece ter desistido de investidas agressivas após a sova do Paquito.

Não sei o que pensar disto. Por um lado, fiquei com vontade de passar um grande sabonete à educadora, tendo em conta que são só miúdos e que, na impossibilidade de controlar a agressividade de uma criança, esta deverá ser resolvida em casa pelos pais. Por outro lado, fiquei aliviada por saber que o Paquito não se fica e sabe defender-se (os genes, senhores, e que genes). De qualquer forma, para marcar o meu desagrado, o Paquito não vai à escola o resto da semana. Pode ser que assim consigam controlar o outro ou que o mandem para casa até se acalmar e deixar de incomodar as outras crianças. É que estas investidas para cima deste cocktail genético explosivo do meu Paquito pode fazer com que o menino esconda um canivete no ténis e resolva esfaquear o outro ou leve um alicate do pai para lhe arrancar os dentinhos um a um. :)

Agora a sério, foi a primeira marca de guerra e eu fiquei mesmo incomodada com isto. O meu filho não é nada agressivo e detesto pensar que foi alvo de uma brutalidade canina destas (parecia mesmo uma dentada de cão).

5 Respostas para “Marcas de guerra”

  1. Dores de crescimento.
    The best is yet to come.

  2. Carago!! O que vale é que ele soube defender-se! Eu cá depois de me certificar que o outro puto está vacinado, tinha uma conversinha com a educadora. E deixava o Paquito livre para se defender sempre que o entenda!! :D Ganda Miúdo!! Genes do Norte, está visto!! :D :D

  3. Os dois colegas ainda se vão tornar em grandes amigos!… É!… Às vezes, grandes amizades nascem de grandes brigas!…
    Mas era bom que alguém alertasse os educadores pequeno cachorrinho!

  4. :) )) Não deixo de achar piada ao que escreveste.
    Entendo a tua preocupação, não é nada agradável ver o nosso piqueno com marcas.
    Mas olha que o Paquito defendeu-se muito bem!!!
    Tens aí um gajo à maneira ;) .
    :-*

  5. Ganda miúdo ou não tivesse ele a quem sair, :)

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