“O Deus das Moscas” de William Golding

Sir William Gerald Golding, 1911-93, escritor britânico, nascido na Cornualha, onde morreu.
Assim se introduz este genial autor, que deu ao mundo uma das obras literárias que mais polémica gerou. Talvez uma das mais lidas e debatidas.
Inocência versus maldade inata.
Organização social versus caos e anarquia.
Tentativa de organização social versus desejo de caos e anarquia inerente à condição humana.
Civilização versus animalidade.
Condição humana – eis a chave. Crianças perdidas numa ilha, após um naufrágio, entregues a si próprias. Luta pela sobrevivência, lei do mais forte. Os fios condutores deste livro remontam a Abel e a Caim e são mais antigos que a própria Humanidade. Perturbante? Q. b. Verdadeiramente surpreendente? Apenas se não quisermos realmente aprofundar a ideia de que o bem e o mal estão presentes desde o início dos seres, na base de tudo, como a luz e as trevas, o sol e a lua, o dia e a noite. Uma lei natural, enfim.
O Deus das Moscas, ou Belzebu, surge como um “bode expiatório” inventado pelo Cristianismo para justificar a presença deste lado obscuro e animal da condição humana. Aparece, nesta obra, através da figura de uma cabeça de porco apodrecida, que se enche de moscas e supostamente despoleta a loucura colectiva. Apodrecida como os valores civilizacionais mirrados pela necessidade de sobrevivência de um grupo de seres humanos que tem que viver a qualquer custo, nem que para tal seja necessário passar por cima dos princípios mais básicos da ocidental educação cristã e moralizante.
Que fazer perante isto? Ler e concluir o previsível. Preferencialmente uma edição com melhor tradução que a da Colecção Mil Folhas, que tem partes verdadeiramente incompreensíveis.

Obrigada, InesN, pela gentileza de me teres enviado este livro pelo correio.

2 Respostas para ““O Deus das Moscas” de William Golding”

  1. Cumprimentos ao José Saramago.

  2. Um dos meus livros preferidos. Brilhante, nas analogias que faz entre uma cabeça de porco que representa um mar de coisas em que o autor e o leitor podem discordar, na visão da sociedade (de qualquer época) pelo comportamento das suas crianças e na forma como expõe aquilo que alguns negam: o instinto animal do Homem.

    Leiam. Completamente obrigatório.

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