Arquivo de Dezembro, 2007

Feliz Ano Novo

Posted in pensamentos with tags on Dezembro 31, 2007 by Yashmeen

Não sei se a mudança no calendário altera alguma coisa, mas de algo tenho a certeza: renova as nossas esperanças, como se fosse possível estabelecer também um marco nas nossas vidas.

Assim sendo, que 2008 seja o ano dos sonhos concretizados – e que entreis nele com muito optimismo, que é para isso que serve o dia 31 de Dezembro.

Renovem-se, por dentro e por fora. Encham os pulmões de ar e respirem bem fundo. Contem até dez e recomecem do zero. Coloquem a vossa vida na meia-noite do dia que vos apetecer.

¡Feliz Año Nuevo!

Em abono da verdade…

Posted in indignação, sociedade with tags , , on Dezembro 29, 2007 by Yashmeen

E porque muito se tem falado deste calendário, gostaria de esclarecer que este rapaz da foto da direita veio a público dizer que não é padre, que foi um mero participante entre muitos da Semana Santa sevilhana e que ninguém lhe pediu autorização para que a sua imagem aparecesse num calendário do Vaticano.

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 Por sua vez, este suposto “padre” a receber um pedaço de pão também não o é; mais uma vez, os fotógrafos aproveitam-se da beleza e da solenidade da Semana Santa sevilhana e roubam imagens aos devotos “costaleros” (pessoas que carregam os andores). Estes dois apareceram em vários programas da televisão espanhola e até mesmo no Telejornal e consideram um processo judicial conjunto pelo uso indevido da sua imagem.

Já não chega o arzinho de campanha pró-gay à moda do Jean-Paul Gaultier, o Vaticano ainda desrespeita os seus fiéis desta forma. Agora era bem feito que o Ratzinger aparecesse, após uma montagem de Photoshop, a mostrar o seu rabo nazi num calendário Pirelli.

Retrospectivas

Posted in pensamentos with tags , on Dezembro 27, 2007 by Yashmeen

Ainda não sei exactamente o que pensar deste ano que agora acaba. Oscilou entre o muito bom e o muito mau, entre a separação e o reencontro, entre o fim e o princípio, entre os sonhos concretizados e ciclos que se fecham para sempre.

2007 em breves linhas… é complicado.

Em 2007, mudei-me para Espanha, coisa que já planeava fazer há muitos anos. Finalmente sinto-me em casa, em Sevilha, depois de seis penosos anos numa cidade onde detestei viver (Lisboa) e da consciência de que, apesar de amar o Porto, esta ser uma cidade demasiado pequena para mim. Consegui finalmente ter os certificados de que precisava para me inscrever na Universidade de Sevilha e dedicar-me àquilo que quero estudar desde sempre, a Literatura das Vanguardas do Séc. XX, com particular incidência na obra do poeta García Lorca. A Nova e a sua ineficiência visceral fizeram com que não me pudesse inscrever ainda este ano (deram-me o certificado a 30 de Novembro, completamente fora do prazo) e originaram com que eu selasse em mim a promessa de que não hei-de voltar a pôr os pés naquela espelunca mal construída e mal gerida ou, se lhe quisermos chamar, centro de trabalho dos arrivistas trotskistas e verdes eufémias e vândalos afins. Aquilo é tudo menos uma faculdade e, pela minha parte, hão-de ver os meus fundos académicos bem de longe. Dos professores à gestão administrativa, a Nova leva da minha parte um zero bem redondo. Pelo menos, ao olhar para o meu certificado, consigo ver que cumpri o objectivo de média final a que me propus, o que me dá a sensação de dever cumprido e de anos de sacrifício que valeram a pena.

Em 2007, tive que reorganizar a minha vida profissional depois do desaire dos primeiros meses, em que o meu cliente principal, que representava 90% dos meus rendimentos, deixa de pagar com regularidade. Felizmente, tudo se resolveu e consegui relançar a minha vida profissional e viver sem preocupações.

Em 2007, precisamente a meio do ano, perdi a minha avó, o que significa que perdi os meus pais e fiquei orfã. Dói muito ainda, mas começo a aprender a lidar com o desgosto. Estive os cinco primeiros meses sem falar com o meu pai (pela enésima vez), estive sem falar com a minha mãe até Maio (as usual), estive distante de toda a minha família materna, mas este foi também um ano de reencontros. A relação com os meus pais continua distante, mas reencontrei-me com aqueles a quem devo os melhores momentos da minha infância, os meus primos.

2007 foi também um ano de amigos. Engoli o orgulho e fui resolver desentendimentos antigos, porque amigos há que, quando os perdemos, nos deixam uma saudade que nos acompanha por anos e anos. Recuperei um dos principais protagistas da minha adolescência, o Karl Macx, reencontrei o Pedro, veio até mim o F., voltei a entender-me com a L., afastei-me dos chamados “amigos tóxicos” (aqueles que contaminam a nossa vida) e acabo o ano com uma contagem muito positiva da amizade em 2007. Sinto que aprendi a deixar o orgulho de lado e a viver melhor os afectos. A vida é muito triste se desaprendermos a amar constantemente.

O meu menino cresceu a olhos vistos. Começou a caminhar, a brincar, a correr, entrou para a escola. Se 2006 foi o ano marcado pelo nascimento dele, 2007 foi o ano em que aprendi verdadeiramente o que é ser mãe. Ele cresceu e eu também.

2007 foi o ano em que recuperei a forma anterior à gravidez. Perdi 15 kgs, muito em parte devido ao desgosto da morte da minha avó, à mudança de país, a um puto que nunca está quieto. Voltei a ter cabelo preto azulado, mudei de penteado, renovei o guarda-roupa, voltei a cuidar-me mais e mais para recuperar do cansaço e do desgaste de uma gravidez complicada e de uma criança tão pequena. Voltei a fazer máscaras e tratamentos, a arriscar novas cores e novos tecidos, a vestir calças justas, a recuperar peças do meu armário. Voltei a olhar para o espelho e a sentir-me bem.

Em 2007, perdi o meu cão. Será sempre insubstituível, porque foi dos melhores amigos que tive. Agora tenho outro, mas não posso dizer que seja a mesma coisa. Havia um laço entre nós que fará com que seja sempre mais um amigo que deixou saudades.

2007 teve coisas muito boas e muito más. Tive que recorrer a todas as minhas forças, procurar todos os vestígios de combatividade, dar tudo de mim, lutar mais e mais. Acabo o ano cansada, desgastada até, mas em paz. Obrigada a todos que estiveram comigo neste ano. Que continuemos juntos em 2008 e em todos os anos das nossas vidas.

A minha foto de 2007 é, sem dúvida, esta. Foi tirada numa noite de festa flamenca, em que me perdi em pensamentos. E, se os meus olhos brilham também de alegria, olham para o horizonte com uma certa nostalgia e têm uma sombra triste, mas metálica, a sombra do guerreiro que nunca desiste.

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Mi casa…

Posted in espanha, música, natal, porto, saudade, sevilha with tags , , , on Dezembro 24, 2007 by Yashmeen

A minha casa tem hoje um cheiro especial. De janelas abertas, rodam os cds de villancicos flamencos e cantes populares andaluzes de Natal. Na minha casa, comem-se hoje pestiños e rabanadas, o leite-creme adocicado da minha bisavó e as especialidades estepeñas de Málaga. Na minha casa, hoje cheira a Porto e a Andaluzia. Repito as receitas que estão na minha família materna há quatro gerações, aquela que é genuinamente portuense, e reencontro-me com os sabores da minha infância e das infâncias de tantas gerações antes das minhas. São as receitas inalteradas, hoje já passadas às netas, que ninguém se atreve a modificar.

Na minha casa, come-se hoje bacalhau do Norte e polvo das águas do Sul. As batatas adocicadas da Andaluzia e o molho agridoce que a minha avó fazia, com o azeite suave do Sul e o vinagre de vinho de terras frias.

Na minha casa, hoje há aletria e aquele cheiro adocicado e melancólico dos Natais portuenses. Mas há flamenco e villancicos, e acende-se uma vela desde que a noite cai, a recriar as fogueiras ciganas que hoje iluminam a claridade da noite andaluza. Nesta noite, os gitanos acendem uma fogueira alta, onde se aquecem, cantam e dançam, oscilando entre as lágrimas e a alegria, as coplas e a bulerías, os abraços e as saudades, porque o fogo indica o caminho aos que já partiram para que se juntem a nós.

Entre vozes que choram aqueles que já não passam mais Natais connosco e a celebração de ese niño gitano que nació en Belén, a minha casa hoje tem um sabor ancestral, mais antigo que qualquer tempo. É do Norte e é do Sul, tem vinho do Porto e de Jerez, cheira a canela e a maçapão, sabe a mil coisas de tempos diferentes, mas é minha. Minha e dos que, no passado e no presente, vivem dentro de mim. Minha e das terras que por mim passaram, minha e desta alma nómada que é mais antiga que eu.

 Felices Fiestas.

Villancico gitano en la hoguera (do filme “Flamenco”, de Carlos Saura”

Feliz Navidad

Posted in natal with tags on Dezembro 21, 2007 by Yashmeen

A minha enteada veio passar uma semana de férias connosco. Depois de longas discussões sobre a homossexualidade do Bill Kaulitz dos Tokio Hotel (estas adolescentes de hoje não têm gaydar?) a preencherem os nossos serões, um episódio engraçado.

Sabendo que o irmão fala mais espanhol que português, e estando a tentar sem sucesso adormecê-lo (o puto gritava desalmadamente porque não queria dormir, mas de manhã tinha festa na escola), a piquena diz desesperada: “¿Por qué no te callas?”

Eu, no escritório, ri-me sozinha.

Meio ensonada, mas tivemos ovelha. Aqui ficam as fotos e os meus votos de Feliz Natal. E lembrem-se: apesar do consumismo, da hipocrisia, da chatice de ter que levar com as tias velhas e as primas com a mania, do trânsito, das indigestões e de não gostarmos de bacalhau, podemos sempre tentar recuperar dentro de nós a magia de acreditar que, pelo menos um dia por ano, temos os sentimentos à flor da pele e a hipótese de estarmos com quem gostamos. E, claro está, podemos sempre dispensar o bacalhau e comer polvo, que é o que eu faço.

Pelo menos um dia por ano, lembrem-se das pessoas. Telefonem ao amigo com quem não falam há tempos. Dêem as Boas Festas ao vizinho do lado, com quem nunca trocaram mais do que bons-dias. Tentem ter paciência com os vossos velhos. Olhem bem para a alegria dos vossos filhos. Abracem os vossos pais. Convidem alguém que vai passar o Natal sozinho para estar convosco. Desejem um Feliz Natal ao chinês da loja, mesmo que ele não vos perceba. Procurem uma estrela cadente. Se forem católicos, rezem. Se não forem, abracem os vossos entes queridos, tirem um milhão de fotografias, caguem para os centros comerciais, comam pizza na Consoada, façam o que vos apetecer, mas… não deixem por dizer ou por fazer algo que, num Natal futuro, gostariam que fizessem por vós.

E façam o favor de ser felizes porque, como a Manuela disse e muito bem aqui num comentário, “eu quero lá saber da hipocrisia dos outros”. E, mesmo que a saudade de alguém que partiu vos encha os olhos de lágrimas, sejam felizes por aqueles que vos querem ver felizes.

Esta vossa agnóstica, comunista, ligeiramente herege e muito pouco sacra amiga, que até tem um presépio sem Menino Jesus como homenagem ao povo judeu (que diz que o Messias ainda está para vir) e porque não conseguiu arranjar um Menino Jesus avulso, deseja-vos, do fundo do coração, um dia cheio de amor, à vossa maneira.

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Balanço

Posted in pensamentos with tags , , on Dezembro 19, 2007 by Yashmeen

Agora que já passou, consigo finalmente fazer um balanço do dia de ontem. Aconteceram, de facto, algumas coisas inesperadas.

Ninguém, mas mesmo ninguém entre aqueles que estimo, se esqueceu de mim. Entre mails, telefonemas e MSN, recibi felicitações até de pessoas com quem já não falava há tempos. Acho que o Birthday Alarm (www.birthdayalarm.com), que recomendo vivamente, tem grande responsabilidade nisso, porque faz com que nunca me esqueça de um aniversário (mais faltava, depois de receber DOIS avisos por email, uma semana e três dias antes).

O mais surpreendente, porém, foi que o meu pai e a minha mãe ligaram-me ao mesmo tempo (estava eu a falar com um e o outro a ligar). Não ouvi a chamada e o telefone insistiu quatro vezes. Quando atendi, era a minha madrasta. Ora se há pessoa com quem eu tive muitas arestas a limar foi com ela, porque tivemos problemas gravíssimos desde que nos conhecemos. Aliás, em tempos atribui-lhe a culpa do mau estado da minha relação com o meu pai e ela própria assumiu isso. Agora tentamos limar as nossas diferenças e até conseguimos um patamar de entendimento, ela com base nos remorsos e eu na tentativa de lhe perdoar o inferno que foi viver na casa dela. Sinceramente, já lhe perdoei há muito tempo. O perdão é tão mais fácil quando o coração não chora pelas pessoas e pelo que elas nos fazem. Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente que a minha madrasta me dê parabéns calorosos.

Mais surpreendente ainda foi a voz lacrimosa do meu pai. O meu pai, um poço de orgulho, estava a fazer uma retrospectiva dos aniversários que não passou com a filha e do tempo que não passou com a mãe (afinal, ontem fazia seis meses desde a morte da minha avó e é um número muito redondo). Deve ser duro retroceder vinte e oito anos e perceber que não construimos nada com a pessoa mais importante da nossa vida. Eu sou mãe, e lembro-me disso todos os dias. O meu pai sente-se a envelhecer e vê-se sozinho: só tem uma filha e um neto, a 800 kms de distância, e passou uma vida inteira a fomentar a discórdia à sua volta.

Já a minha mãe, por sua vez, telefonou-me. Mandou uma sms e telefonou-me. Ora a minha mãe nunca telefona. Talvez o marido novo lhe tenha metido algum juízo. Não sei. Só sei que não falava com ela desde Maio, com excepção das sms semanais. O meu novo padrasto, por sua vez, mandou-me um mail, apesar de não nos conhecermos. Eu gostei imenso daquele que foi meu padrasto durante treze anos (casou de novo e tem dois filhos; nunca mais o vi). Quanto a este, se um dia o conhecer, também é possível que goste dele.

O meu pai disse que vinha cá passar os Reis connosco e que trazia o meu avô. Ora o Dia de Reis é a festividade mais importante cá da Espanha. A minha mãe disse que telefonava na véspera de Natal. Com tantas promessas que eles não cumpriram ao longo dos anos, eu vou sempre duvidando. Porém, de cada vez que eles prometem e não cumprem, há uma parte de mim que sofre como a miúda de sete anos que fui, pelo que me tornei descrente como defesa. Mesmo assim, não completamente – haverá uma parte de nós que nunca cresce realmente e se recusa a admitir que os pais nem sempre cumprem promessas? Penso nisto muitas vezes. No fundo, bem lá fundo, queremos ser amados, mesmo por quem nos fez/faz mal, porque desde sempre nos é incutido que é uma obrigação que os pais gostem dos filhos. Porque somos um bocado otários por natureza. Ou porque uma pessoa morre e as outras passam a olhar para nós como a tábua de salvação contra a solidão na velhice.

É lixado. Nem todo o dinheiro do mundo nos compra a visita semanal ao lar ou a mão que está lá, no fim de tudo. O afecto sim, consegue essas coisas. Por isso, eu digo todos os dias ao meu filho que gosto dele; abraço-o todas as vezes que posso; deixo que ele me tire os óculos para que me possa olhar nos olhos (e puxar as pestanas também); gosto quando ele quer dormir na minha cama (apesar de ser raro, porque o pequenito gosta mais da dele). E espero sinceramente que, no dia em que ele fizer 28 anos, eu possa olhar para trás e sentir que fiz aquilo que achava correcto e que enchi a vida dele de amor, e que ele preencha a minha velhice de afecto, sem remorsos ou feridas mal curadas.

(Isto é particularmente importante se pensarmos no facto de que descendo de gente longeva, que normalmente passa dos noventa anos – ou seja, há fortes hipóteses de passar grande parte da minha vida sendo uma velhota resmungona como a Agustina Bessa-Luís, sem tirar nem pôr)

Ozzy & Kelly Osbourne, “Changes”

É hoje…

Posted in coisas giras with tags , , on Dezembro 18, 2007 by Yashmeen

O mistério do post anterior é que hoje é o meu 28º aniversário. Eu não devia dizer isto aqui, porque dá a sensação que estou à espera que me enviem mensagens de parabéns, mas a verdade é que quase todos os que me lêem já o fizeram (e são só duas da tarde).

Creio que o dia do aniversário desenvolve também estas inseguranças; é quase como se fosse um fio de prumo do afecto que as pessoas nos têm – o que nem sempre é verdade, porque acontece que as pessoas que gostam de nós não se lembrem por qualquer motivo e que aquelas que até não nos ligam nenhuma nos mandem uma mensagenzinha apenas porque sim.

Este aniversário tem um travo amargo, porque faz hoje precisamente seis meses que a minha avó morreu e porque é o primeiro aniversário que passo sem ela, que foi sempre a peça fundamental destes dias (uma vez que a minha mãe telefonava assim de vez em quando). Contava sempre a história de que, quando nasci, eram 12h50 e que ela terá olhado para o relógio e terá dito, cerca de dois minutos antes, “nasceu agora”. O que é certo é que, diz quem viu, falhou a hora precisa do meu nascimento por uns minutinhos, já que pouco depois tocou o telefone e era o meu pai a anunciar o evento. Era sempre a primeira a dar-me os parabéns, à meia-noite e cinco minutos, e ia repetindo durante o dia “não fiques triste”, sabendo da melancolia que normalmente me invade neste dia. Creio que, desde pequena, tinha muito presente o sentimento do erro que tinha sido o meu nascimento e de nunca ter sido verdadeiramente desejada pelos meus pais, da desilusão do meu pai por ter nascido mulher, de nunca ter passado um aniversário com a minha mãe, de ganhar presentes mas não festas-surpresa (porque dava muito trabalho e ninguém estava para isso).

O tempo foi passando e estas coisas continuaram lá, mas com uma intensidade diferente. Hoje em dia, esforço-me por ser feliz quando tenho que ser feliz, para ver felizes aqueles que me querem ver feliz e para partilhar essa felicidade com eles. Nem sempre consigo, mas vou tentando. Por isso, ontem mudei de corte de cabelo (fiz uma franja), para tentar também começar os 28 anos como se encara um corte de cabelo novo: com optimismo. Hoje, o meu querido Rafeiro Perfumado perguntava-me se não é chato fazer anos longe de tudo. Eu não estou longe de tudo, porque tenho o mais importante aqui ao lado. E temos que centrar-nos no essencial, sob pena de sermos uns eternos insatisfeitos – receber de braços abertos o que a vida nos dá, seja mais um amigo virtual ou uma das pessoas com quem trabalhamos que, lá na África do Sul, se lembra do nosso aniversário porque uma máquina virtual o avisou.

Constato também que os ditos amigos virtuais acabam por ser bem mais constantes do que os amigos de carne e osso. O mais curioso é que os amigos que damos por adquiridos deixam de ter estas pequenas atenções e os amigos virtuais vão ocupando o seu lugar na presença destes dias. Abri o mail e estive mais de meia hora a ver postais de aniversário e mails de felicitação, e não consegui diferenciar já quem eram os amigos da vida real e os deste espaço paralelo que é a intenet.

Resolvi também, a partir de agora, imprimir todos os postais virtuais e mensagens de aniversário que me mandam. O email passado para papel tem o mesmo sabor de constância daqueles postais do antigamente, que guardávamos em caixas debaixo da cama.

Houve um site que me mandou uma leitura astrológica de presente (queriam eles que eu subscrevesse a newsletter diária… por acaso…). Eu não acredito em astrologia (mesmo), mas aqui fica, porque a cavalo dado não se olha o dente. ;)

Section 1: How You Approach Life and How You Appear To Others
    You meet life head on and throw yourself into new experiences with zest and enthusiasm. You are direct, straightforward, assertive, and usually completely aboveboard in all your dealings. Candid and incapable of guile, insincerity or phoniness, you project a confident and sometimes arrogant appearance to others. You often lack tact and sensitivity, and can be completely oblivious to others’ needs, and inadvertently selfish. You are self-reliant and don’t depend upon social approval and reinforcement as much as other people do. You like to be original and do not mind going it alone. You may feel that you do not fit into groups very well, and that you do not naturally blend in and cooperate with others very easily. You like to be either a leader or a loner.

Section 2: The Inner You: Your Real Motivation
    You are a gambler and an adventurer at heart, one who loves to take risks, to discover and explore new worlds, and to take the untried path rather than the safe, reliable one. You are an independent soul, freedom-loving, and often very restless. You need a lifestyle that provides opportunities for travel, movement, change, and meeting new people. A steady routine which offers much in the way of security but little in the way of space and freedom is odious to you.

Have a nice day. Eu vou tentar. ;) Entretando, o meu presente para vocês é uma das minhas canções preferidas, do meu cantor/músico de eleição (se tivesse que escolher o favorito, seria este, de certeza, pois sou fã desde que me conheço): o grande Peter Murphy, que tive muita pena de não ver em Gaia em Novembro.

“All night long”, Peter Murphy

É amanhã.

Posted in coisas giras with tags on Dezembro 17, 2007 by Yashmeen

É oficial. Está quase.

Afinal não é um cão

Posted in Uncategorized with tags , on Dezembro 17, 2007 by Yashmeen

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Não, também não é um coelho. É uma cadela. Ainda bem que deixei o M. escolher o nome, porque eu queria Zorro (a pensar que era um cão) e zorra, assim no feminino, é um palavrão muito feio em espanhol. Quanto ao pequenito, chama-lhe Pumpa e tenta jogar à bola com ela. Ficou Puma, pronto, que é fácil para toda a gente.
Depois de hora e meia a cortar pelo e a tirar lixo das orelhas e das unhas, a Puma parece outra. Ganhou um arnês preto e uma trela tigresse, comprimidos de desparasitação interna, desparasitação externa, saco de viagem (ela cabe numa espécie de carteira grande para levar cães), análise de fezes, perfume e pronto, eu deixei uma vintena de contos na clínica mas saí de lá com um cão como deve ser e incrivelmente mais contente, por finalmente se sentir mais limpo e conseguir ver bem. Se há dinheiro que se pode considerar bem gasto, é este.
Nunca tive uma cadela, muito menos deste tamanho. Vamos lá ver se a gente se entende. Para já, é a menina do dono. :)  

Natascha Kampusch renascida

Posted in TV, sociedade with tags , on Dezembro 12, 2007 by Yashmeen

Lembram-se da rapariga austríaca que viveu 8 anos da sua adolescência fechada numa masmorra, mesmo debaixo do nariz dos pais e da Polícia, e com o raptor a sair à rua com ela sem que ninguém reparasse?
A verdadeira história de Natascha Kampusch é um segredo que ficará eternamente entre ela e o raptor que, percebendo que ela tinha fugido, se suicidou. Diz-se também que a mãe da jovem conheceria o raptor e que estaria envolvida no caso, por terem sido encontradas fotos que sugerem uma infância marcada por abusos sexuais, com a pequena Natascha vestida e maquilhada de maneira imprópria para uma criança.
O que é certo é que a jovem, depois de passar toda a adolescência fechada numa cave a ouvir rádio e a ler jornais compulsivamente para tentar ter contacto com o mundo lá fora, encarou os media com uma aparente frieza nas entrevistas que concedeu. Teve mesmo o sangue-frio de tapar o cabelo com um lenço cor-de-rosa, porque lhe disseram que isso desfocaria a suas feições em televisão, de forma a que não a reconhecessem facilmente na rua. Defendeu ainda o raptor, deixando no ar a dúvida sobre contactos sexuais consentidos. Não respondeu a nada que pudesse invadir a sua privacidade ou revelar demasiado sobre esta história mal contada, que alguns defendem ser uma montagem.
Após a sua fuga, Natascha engordou uns 20 kgs por causa da medicação psiquiátrica a que esteve sujeita, mas parece estar decidida a dar a volta ao seu passado. Reapareceu com um programa de televisão na Áustria, onde entrevistará diversas personalidades, e até tem uma página digna de uma estrela de Hollywood, onde mostra um visual renovado e faz alarde das suas obras de beneficiência.
Depois de viver oito anos longe do mundo, estará Natascha disposta a ser o centro do mundo? Vejam com os vossos próprios olhos: http://www.natascha-kampusch.at/