Nova actualização sobre o ataque xenófobo de Barcelona
Pois é, o advogado dele conseguiu uma “liberdade provisional” – assim se chama em Espanha. Terá que se apresentar nos dias 1 e 15 de cada mês perante o juíz e duas vezes ao dia na esquadra da Polícia local. Isto porque o psiquiatra dele foi chamado a testemunhar e declarou que anda em tratamento desde os 11 anos devido a uma infância traumática e que é violento devido a distúrbios mentais graves.
Enquanto isso, chegaram a Barcelona representantes do Governo do Equador e foi feita uma manifestação por 400 pessoas pertencentes a associações equatorianas, com a presença do Consulado do Equador.
Como o próprio Zapatero se meteu no assunto e os Ministros pediram justiça, era de esperar que o juiz catalão fosse contra a maré e não fizesse a vontade ao Governo central e ao seu desejo de punição exemplar. A mesma coisa aconteceu quando foram queimadas bandeiras de Espanha e fotos dos monarcas por ocasião da sua visita à Catalunha. A ideia deles é que a justiça catalã seja um organismo estranho ao resto dos organismos judiciais espanhóis, baseado nos princípios nacionalistas catalães, e que apenas os seus símbolos oficiais sejam respeitados.
Eu resumo isto numa simples frase: afinal, ela era uma simples miúda equatoriana e ele um catalão de sangue puro, meus caros.
Quanto ao passivo assistente, também é imigrante, mas da Argentina. Não mostraram na tv as imagens seguintes ao ataque, mas o rapaz aponta para a câmara e diz à miúda que está tudo gravado e que ela pode denunciar o agressão. Comprova-se que mais gente ia no vagão, não se conseguindo ver desde aquele ângulo.
Vamos lá ver uma coisa: não sabemos sequer se o argentino é imigrante legal (deve ser, porque estuda numa faculdade). Perante uma besta raivosa daquelas, e com o sotaque marcado que os argentinos têm, o mais provável era levar na tromba também. Iam todos parar à esquadra da Polícia e quem ia ficar com um problema às costas era o argentino, porque o catalão ia alegar legítimas defesas e porras afins. E, meus amigos, mais vale um cobarde vivo que um herói morto.
Todos os dias se fala de crimes xenófobos na Catalunha, perpetrados pelas próprias autoridades policiais, que não têm pejo nenhum em falar espanhol para os insultar de “sudacas de mierda”. Aliás, o próprio Sergei já tinha sido chamado a responder por este tipo de agressões (desde os 17 anos que anda nisto) e apareceu mais uma vítima peruana, desta vez com outros peruanos como testemunhas, também agredida no metro e também em vias de denunciar este agressor.
Mudando agora de assunto, apareceram na tv espanhola umas fotos comprometedoras do pai da Maddie na praia quatro dias após o desaparecimento. Numa das fotos, parece estar a verificar se alguma coisa está bem enterrada. Nas outras, aparece a mandar uma sms a alguém, logo no instante a seguir. Sozinho, com ar comprometido, o que fez com que por aqui se dissesse que a miúda poderá efectivamente estar enterrada na praia (mesmo por trás da igreja cujas chaves eles tinham, algo contrário às regras eclesiásticas) ou até mesmo já ter sido levada pelas marés.
Isto é um ciclo que não pára, nem há-de parar.
Este artigo foi publicado em Outubro 26, 2007 às 11:14 am, na(s) categoria(s) indignação with tags agressao, barcelona, catalunha, indignação, maddie, metro, xenofobia. Pode seguir as respostas a esta entrada através do feed RSS 2.0 Pode deixar uma resposta ou fazer trackback do seu próprio site.
Outubro 26, 2007 às 6:07 pm
la abuelita diz que ele é tão bom rapaz pá…sim, já vi tudo no youtube.
é uma das teses mais fortes, no caso da pequena maddie.
apareceu cá em Portugal, um sul africano que garantia que ela estava enterrada, um especialista, dizia ele.
Outubro 29, 2007 às 9:10 am
A sempre eterna desculpa da infância traumática e distúrbios mentais enerva-me. Quem se torna violento por “distúrbios mentais” é internado em hospitais psiquiátricos, em vez de andar aí à solta a estragar a vida aos outros. O facto de esse indivíduo apenas ter involuntários acessos de violência com imigrantes deve ser uma enorme coincidência, talvez.
Enfim.
À laia de resposta: o tal contrato de leitura consiste em identificar uma frase que nos dão (a minha é “a sua poesia transborda de amargura/preocupações sociais”) com o poeta através de um livro que nos é indicado. Só que esse livro não existe em lado nenhum. Vou apresentar esse pequenino detalhe à minha prof esta tarde. Se depois de conseguir o livro tiver dúvidas (tão certinho quanto dois e dois serem quatro), vou chatear-te. Obrigadíssima.
Outubro 29, 2007 às 11:50 am
Francis: coitada da avó. Dizem os vizinhos que nunca teve mão nele devido à idade e que anda a morrer de vergonha. Só não o põe fora de casa porque a mãe desapareceu do mapa e o pai quer que ele vá morrer longe.
Rekoa: sei de que livro falas, porque também passamos uns trabalhos na fac para arranjá-lo. A menina da biblioteca mandou-o vir não sei de onde e todos tiramos fotocópias. Como te digo, há que ter cuidado com as edições porque o Carlos de Oliveira reescreve as suas obras constantemente.
Grande parte da sua obra poética já foi tirada de circulação.
É, sem dúvida, um poeta que canta as amarguras do Portugal salazarento, projectando a sua angústia interior nas suas preocupações sociais.
Se precisares de ajuda, eu posso reciclar os meus apontamentos e material das aulas.