Riscos laborais

Posted in trabalho with tags on Novembro 10, 2009 by Yashmeen

Ontem, por motivos profissionais, tive que ir ao centro de investigação do Hospital de Santa Maria. O meu acompanhante estava vacinado contra a gripe A e tem acesso a Tamiflu com facilidade por ser médico de um país latino-americano, mas eu não estou vacinada.

Sendo assim, recusei-me a ir à cafetaria do hospital e passei na recepção a correr. Contudo, no elevador, em contacto com pessoas que vinham da rua, meteram um doente com ar de padecer de cancro avançado, entubado e debilitado, que se deslocava certamente para um raio X. Explicou-me o médico que ia comigo que aquilo era tão anti-ético que não se fazia já em lado nenhum, porque as probabilidades de matarmos o paciente com uma das nossas bactérias era enorme. Os doentes não podem circular nos mesmos elevadores que os visitantes e ponto. Mas isso não é em Portugal, com estes hospitais macabros e onde não se respeitam as pessoas doentes.

Muita gente de máscara à espera nas Urgências. Muita porta aberta, muita corrente de ar, muita gente a tremer de frio. Assustador e triste. Eu peguei no meu gel e desinfectei-me quando chegamos ao gabinete do médico e depois ao táxi. Quero lá saber se posso parecer paranóica. Afinal de contas, e disse-me o sôtor, há uma cepa do vírus que queima literalmente os pulmões, sem escapatória, e os hospitais portugueses são tudo menos seguros.

Hoje estou assim meio constipada… e com uma paranóia daquelas. Quero uma vacina, pronto. E sim, tenho esta “ligeira” tendência para a hipocondria quando se trata de pandemias. Shoot me now.

Pensamentos do dia

Posted in pensamentos with tags on Novembro 6, 2009 by Yashmeen

Ora o ideal era ter a casa do Porto aqui em Sevilha (porque é mais gira) e as pessoas do Porto também aqui (família e amigos), mas viver aqui em Sevilha e com este clima e tudo e tudo e tudo e tão perto da Costa del Sol e assim.

Pronto. O único sítio onde vivi que não me deixou saudades foi Lisboa, pelos mais diversos motivos, mas sem nada contra. Apenas não gostaria de voltar a viver lá. Não digo as razões porque as pessoas podiam zangar-se comigo e eu ter de fazer uso da minha moderação de comentários (sou uma prepotente que não gosta que discordem de si muito violentamente. Com jeitinho, OK?).

Sou uma pessoa dividida, mas vou aprendendo a viver com isso. Adoro Espanha mas tenho uma qualidade de vida superior em Portugal. Oh God. A Península Ibérica devia ser ainda mais pequena para o norte ficar mais perto do sul e uma pessoa poder andar de um lado para o outro quando lhe apetece.

 

Recebam os meus melhores cumprimentos daqui de Sevilha. Na Terça já vos escrevo do Porto e espero que já seja alguma coisa mais decente do que estes pensamentos malucos.

Mais uma voltinha

Posted in sevilha, viagens with tags , on Novembro 4, 2009 by Yashmeen

E hoje rumo a Sul, à minha casa de Sevilha. Estou a gostar desta experiência de voltar a viver no Porto, mas confesso que tenho saudades de Espanha. Vou aproveitar para rever locais habituais, tratar de burocracias, comer pescaíto no lugar do costume e respirar o ar puro e morno do Outono andaluz.

É bom viver entre dois mundos.

Peter Murphy ao vivo na Casa da Música

Posted in música with tags on Novembro 2, 2009 by Yashmeen

1/11/2009, 21h30.

Lá me encontrei com a Cascavel e o seu amado à hora combinada, todos com aquele entusiasmo de quem ia reencontrar um artista de quem se gosta há muito tempo. Começamos por ver gente de preto e com muito eyeliner e pensamos que o público do Peter Murphy era aquela gente que, como nós, foi adolescente nos anos 90 e frequentava o Heavens Gothic Club.

Redondamente enganados: quando entramos na sala, parecia uma reunião do sindicato dos bancários. Muito pólo colorido e de marca, muita risca ao lado, elas platinadas, todos passados dos 45. De repente, apercebi-me de que éramos dos mais novos ali, o que não é de estranhar, uma vez que o êxito deste artista teve o seu auge no início dos anos 90. Contudo, e uma vez que é o expoente máximo do gothic rock, esperava-se mais gente… gótica. Vocês percebem. Aquele público podia ser perfeitamente malta que se tinha enganado ao ir para o Coliseu ver o Sérgio Godinho com o Fausto, que também aconteceu ontem à noite.

Sentados à nossa frente, um conhecido sexólogo da nossa praça com uma acompanhante bem mais jovem. Saíram ao fim da terceira música. Ainda devem ter ido a tempo do concerto do Coliseu (hehe).

A primeira parte foi feita por uma jovem loira e desconhecida, chata como o raio que a parta, que deve ser muito amiga dele ou até mesmo da família do artista. 35 minutos de puro sofrimento e a gaja nunca mais se ia embora.

O concerto em si não foi genial, mas teve momentos brilhantes. Sendo tecnicamente muito bom, com modulações de voz impecáveis, Peter Murphy não teve grande interacção com um público que permaneceu sentado até ao fim. Num concerto de rock, embora gothic rock, não era suposto. Digo eu.

Momento alto da noite: “Cuts you up”. Genial. Peter Murphy demonstra ser ainda uma grande referência no meio, muito para além dos Bauhaus. Uma pena o ambiente ter estado tão “morno”.

Fica uma das minhas favoritas, que infelizmente não cantou…

Coisas que tenho tentado fazer nos últimos tempos

Posted in vida with tags on Outubro 30, 2009 by Yashmeen

- Usar menos o Blackberry. Se não estou a trabalhar, desligar do trabalho.

- Levantar-me e deitar-me sempre à mesma hora.

- Retomar o ginásio.

- Não deixar que as pessoas me controlem telefonicamente. Detesto que comecem telefonemas por “onde estás?” ou inquéritos como “liguei-te três vezes; não atendeste porquê?” – seja quem for. Essa pergunta deixou de ter resposta.

- Tomar suplementos vitamínicos sempre que me sinto mais cansada.

- Perder peso (e tenho conseguido).

- Passar menos tempo no computador. Já passo demasiado tempo aqui a trabalhar.

- Reduzir as redes sociais. Limito-me ao Facebook. Já esqueci o Twitter e o Hi5.

- Aproveitar os momentos de descanso para socializar mais.

- Poupar mais. Não se sabe o amanhã.

 

Da fé e outras questões

Posted in pensamentos, religião with tags , on Outubro 27, 2009 by Yashmeen

Confesso que preocupo-me muito pouco com as questões metafísicas da vida. Que não perco tempo com espiritualidades, em suma. Isso não abona muito a meu favor, mas tenho uma perspectiva pragmática do quotidiano, o que me leva a não ser uma pessoa de fé nem de devoções.

Sou agnóstica. Não nego a existência de Deus, mas recuso-me a alinhar nas fileiras das religiões. Não tenho dinâmica interna para isso. Para seitas, muito menos. Conheço quem tenha caído nas garras dos fundamentalismos e do consolo comprado com o dízimo e não tenho visto resultados produtivos na vida dessas pessoas. Algumas, que me são próximas, caíram mesmo nas garras da insanidade.

O Antigo Testamento mostra-me um Deus vingador, justiceiro, de espada na mão, que incentiva o ciúme entre os irmãos Abel e Caim. Pois é, o cerne da questão de que todos falam. Concordo com o Saramago em grande parte das coisas que diz, talvez por me ter alimentado na juventude da mesma linha de pensamento marxista que define uma concepção própria da Humanidade e da consciência de Deus.

Lamento o autismo de quem tem fé. Se eu respeito e ouço, embora não me deixe converter, ouçam-me a mim e a minha versão desapaixonada da religião. Não ter a mesma orientação, não ter orientação nenhuma não é, de todo, desrespeito. É apenas ter uma alma que não se deixa alimentar, mas que também quer ter voz.

Há dias…

Posted in trabalho with tags on Outubro 22, 2009 by Yashmeen

… como hoje, em que me levantei às sete e ainda não acabei de trabalhar. Há dias em que eu juro a mim própria que vou deixar de brincar às empresas e vou tornar-me petsitter (babysitter de animais de estimação ao domicílio) ou designer de aquários.

 

Ides ver um dia. Ides ides.

Anúncios de Natal

Posted in TV with tags on Outubro 20, 2009 by Yashmeen

Já começou a praga dos anúncios de Natal. Para quem, como eu, passa o dia a ver/ouvir o Canal Panda, o Playhouse Disney, o Nickelodeon e afins, é inevitável estar a par das últimas novidades dos brinquedos.

Confesso que estou um bocado arrepiada com o anúncio do Nenunco Clínica de Maternidade. Ora querem pôr as meninas a brincar ao pré-parto, a ouvir o coração do bebé, com outra menina vestida de enfermeira a tirar as tensões e todas a fazerem de conta que aquilo é muito giro… e será que no folheto do brinquedo explica o que são contracções de cinco em cinco minutos, horas e horas e horas e a criança a não sair e ninguém a fazer nada para ajudar, médicos mal humorados e enfermerias brutas? Ah, esperem lá. Deve ser para brincar às maternidades privadas, porque Deus livre as meninas que agora brincam com Nenucos de irem parar à Maternidade Alfredo da Costa em trabalho de parto (se eu soubesse o que soube depois, tinha ido para o hospital da CUF)…

Há brinquedos que… pronto, não havia necessidade.

 

Portugal

Posted in portugal, regresso with tags , on Outubro 18, 2009 by Yashmeen

Dois anos fora de Portugal fazem com que algumas coisas sejam completamente novas para mim e outras tenham que ser redescobertas. Espanha foi a minha casa de forma absoluta nestes dois anos e agora dou por mim a sentir-me muitas vezes como o filho que regressa dos anos de faculdade à casa paterna e encontra uma nova mobília de quarto.

Há coisas deliciosas em Portugal. A comida é deliciosa em Portugal. O leite Agros, os iogurtes Longa Vida, o arroz Saludães, a carne, o peixe a tremer de fresco. Não comi nada no estrangeiro que se comparasse à qualidade destes produtos, de embalagens simples e sem espalhafatos. Em Espanha, o aspecto é tudo e os supermercados são cheios de luz, as embalagens cheias de cor, a carne reluzente, mas o Lechera Asturiana não tem este sabor a prados do Minho do nosso Agros… Os preços não são exagerados: os portugueses é que ganham pouco. O preço do carrinho do supermercado consegue ser igual ou até inferior ao de Espanha, mas o salário do espanhol anda pelo dobro e isso faz com que haja maior abundância de oferta ao nível da cosmética e artigos de luxo. Creio também ser por isso que o papel higiénico húmido e perfumado já entrou em todas as casas espanholas e aqui ainda está num fundo de prateleira onde ninguém lhe pega (*piadinha*).

As pessoas. As pessoas em Portugal ainda são amáveis. Ainda nos dizem, quando nos vêem na fila do supermercado com um carrinho cheio de peixe e carne, que fazíamos bem em meter tudo dentro de um saquinho térmico, que é de graça e tudo. Ainda nos dizem bom dia e boa tarde gratuitamente, embora com ar sisudo, e têm o cuidado de nos dar o pão mais branco ou as maçãs mais verdes, se assim pedirmos. Aqui, perdoem-me, falo das pessoas a Norte, porque a Sul a indiferença é maior, pela densidade populacional e por um certo desprendimento inerente à personalidade de Lisboa. As pessoas andam tristes e desanimadas por cá, mas continuam a ser, no geral, boas pessoas, gente honesta e trabalhadora.

Não sou nacionalista. Sou de muitos lados. Não sou patriota – mas digo-vos, meus amigos, que já andei por muitos sítios, que já comi em muitos sítios, que já conheci gente de todos os lados e que ar do mar como o nosso, comida quente como a nossa, gente afável como esta (por muito que os outros sejam mais festivos ou mais competentes) dificilmente se encontra por aí.

(Uma nota muito negativa para a televisão, que continua péssima e a dar trabalho sempre aos mesmos, com demasiada abundância de novelas brasileiras e CSIs)

A não esquecer

Posted in internet on Outubro 15, 2009 by Yashmeen

O museu de Auschwitz lançou recentemente um perfil no Facebook e uma página Web para destacar ainda mais a sua presença na memória das pessoas e a sua importância histórica enquanto testemunha do maior crime da Humanidade.

Fica o link –  http://en.auschwitz.org.pl/m/ - e página no Facebook.

Porque aconteceu mesmo. E porque não pode voltar a acontecer.