Ontem, por motivos profissionais, tive que ir ao centro de investigação do Hospital de Santa Maria. O meu acompanhante estava vacinado contra a gripe A e tem acesso a Tamiflu com facilidade por ser médico de um país latino-americano, mas eu não estou vacinada.
Sendo assim, recusei-me a ir à cafetaria do hospital e passei na recepção a correr. Contudo, no elevador, em contacto com pessoas que vinham da rua, meteram um doente com ar de padecer de cancro avançado, entubado e debilitado, que se deslocava certamente para um raio X. Explicou-me o médico que ia comigo que aquilo era tão anti-ético que não se fazia já em lado nenhum, porque as probabilidades de matarmos o paciente com uma das nossas bactérias era enorme. Os doentes não podem circular nos mesmos elevadores que os visitantes e ponto. Mas isso não é em Portugal, com estes hospitais macabros e onde não se respeitam as pessoas doentes.
Muita gente de máscara à espera nas Urgências. Muita porta aberta, muita corrente de ar, muita gente a tremer de frio. Assustador e triste. Eu peguei no meu gel e desinfectei-me quando chegamos ao gabinete do médico e depois ao táxi. Quero lá saber se posso parecer paranóica. Afinal de contas, e disse-me o sôtor, há uma cepa do vírus que queima literalmente os pulmões, sem escapatória, e os hospitais portugueses são tudo menos seguros.
Hoje estou assim meio constipada… e com uma paranóia daquelas. Quero uma vacina, pronto. E sim, tenho esta “ligeira” tendência para a hipocondria quando se trata de pandemias. Shoot me now.

