Fim do pesadelo

Publicado em Uncategorized às Julho 7, 2009 por Yashmeen

Ontem o meu menino fazia três anos. Falei com a médica de manhã para ver se ainda tinha que lá ficar mas, como chegou a 38º de febre ao meio-dia, ela disse que tínhamos que esperar pela tarde para ver e que queria fazer novas análises. Aproveitei para lhe pedir que lhe tirasse o soro porque a mão já estava a inchar.

Lá fomos nós tirar sangue de novo. Pica aqui, pica ali, ele a chorar desalmadamente. Já que estávamos na sala de tratamentos, o enfermeiro tirou o tubo do soro e lá saiu o menino com uma mão inchada e uma nódoa negra no braço… e mais um valente susto que apanhou.

De tarde, brincou e não teve febre. O meu pai assentou arraiais na sala dos brinquedos da enfermaria com ele, para o distrair, e a minha mãe substituiu-o depois ao fim da tarde. Como era o aniversário dele, as auxiliares deram-lhe um bolo (”para o menino espanhol”) e as outras crianças cantaram-lhe parabéns à hora do lanche. Também ganhou um livro de pintar. Fiquei claramente com a sensação de que os hospitais portugueses mudaram muito nos últimos anos e de que são cada vez menos frios e desumanos com as crianças. Tentam colmatar ao máximo a tristeza que os pequenos sentem por estarem no hospital.

Ao fim da tarde, chegaram as análises e a médica disse que os valores estavam bem. Ele já não tinha febre desde o meio-dia e coloquei-lhe a questão de ir para casa. Eu posso fazer o mesmo que eles fazem lá com a febre se ela aparecer, ou seja, meter supositórios. Ela concordou comigo, mas sempre com a premissa de que, caso haja recaídas, eu ligue para aquele Serviço. Disse que me ia dar esse voto de confiança, porque eu lembrei-a de que estavam duas crianças bem mais doentes e sem diagnóstico na mesma enfermaria e o risco de contágio existe sempre. Saímos de lá às nove da noite, mas saímos.

Viemos para casa celebrar as últimas horas do aniversário. Arranjou-se um bolo em forma de campo de futebol à pressa e umas prendas improvisadas. O menino não voltou a ter febre até agora e pôde cantar parabéns e apagar velas e tirar fotos e fazer todas as coisas a que uma criança tem direito no aniversário. O problema é que agora tem pesadelos, em que diz que não quer que lhe façam aquilo nem lhe toquem e tem que dormir na nossa cama, mas há-de passar.

Ficou-me de lição ver crianças bem doentes, a enfermaria de oncologia infantil mesmo ao lado, pais que passam meses no hospital sem saber quando acaba o sofrimento e perceber que, no meio do azar, às vezes temos que dar graças pela sorte que temos.

Lágrimas de mãe

Publicado em filho with tags às Julho 5, 2009 por Yashmeen

Escrevo com o coração apertado.

Saímos de Sevilha na sexta-feira para celebrar o aniversário do pequeno com a família no Porto nesta segunda-feira. Chegou ao Porto cheio de febre e tivemos que o levar ao hospital. Ficamos os dois no isolamento com suspeita de gripe A. Trataram-nos tipo leprosos, numa sala onde não ia ninguém. Picaram-no, fizeram todo o tipo de exames e por fim concluíram que não é gripe A, mas que é um vírus gripal fortíssimo. Continua internado até que os sintomas desapareçam e eu tive que vir agora a casa descansar o pouco, enquanto o pai ocupa o meu lugar durante a noite.

Tenho o coração em pedaços. Amanhã faz três anos. Devia ter uma festa de aniversário, com bolo e brinquedos e fotografias felizes, e vai passá-los numa cama do hospital de São João com um tubo de soro que lhe ocupa a mão pequenina toda.

Não há dor maior que ver sofrer um filho.

2 anos de Espanha

Publicado em espanha, sociedade, vida às Julho 2, 2009 por Yashmeen

Há uma nova menina na caixa do supermercado onde vou habitualmente.

Quando apresentei o BI para pagar (aqui em Espanha tem que se apresentar o documento de identificação para pagar com multibanco), ela diz que vai chamar o chefe porque não sabe se pode aceitar o meu BI, já que podia ter uma fotócopia da fotografia colada e não é electrónico. Pôs literalmente em causa a minha documentação, com um descaramento impressionante.

Eu passei-me. Disse-lhe que falsificável era o do país dela, que até se vende na Internet e estive vai não vai para deixar 60 euros de compras lá para ela arrumar. Disse-lhe  de forma claramente hostil que olhasse com atenção para os carimbos, para as marcas, para o tipo de papel e para a informação que contém. Se não sabe, eu explico. O chefe dela vem e pede muita desculpa, e da caixa do lado diz a menina María de los Reyes, que me conhece há dois anos, que estava fartinha de me vender coisas e acrescenta um “Se fosse eu a ti, aceitava”, assim como quem diz que “estás aqui, estás a arranjar um sarilho com essa gaja” (eu).

Atrás de mim, uma espanhola que aparentemente me conhece de vista reclamava e dizia que nós éramos cá do pueblo e que não se podia tratar assim os estrangeiros. “É que nem todos são como os romenos, ó Maricarmen”. As pessoas da fila riam-se e gozavam com a situação, porque sabem quem somos. Faz hoje precisamente dois anos que nos mudamos para Espanha, ironia das ironias.

Eu até percebo a rapariga. Antes de mim, esteve quinze minutos a contar nove euros em moedas de vinte cêntimos que levava a romena para pagar as compras e tem havido imensos casos de famílias inteiras a usarem o mesmo passaporte com fotografias falsas. No entanto, não tem o direito a meter todos no mesmo saco; se tem dúvidas sobre a identificação de uma pessoa, limita-se a não vender os artigos e a sujeitar-se a uma queixa na Guardia Civil, porque não deixa de ser um atentado ao bom nome. Já recebi um pedido de desculpas formal do meu banco por me terem feito a mesma coisa numa sucursal e ter apresentado a respectiva reclamação por escrito.

Enfim, paga o justo pelo pecador. O que me aborrece é que Portugal não é a Roménia. É um país de gente internacionalmente conhecida por ser honesta e trabalhadora e, neste momento, estamos todos a pagar pelas vigarices alheias. Chamem-me racista ou xenófoba, mas aborrece-me que cada vez mais se gerem conflitos deste tipo porque há gente que emigra para enganar o povo hospedeiro. Eu não admito é que duvidem de mim sem razão válida, seja onde for e seja quem for.

Que chatos, pá

Publicado em TV, americanices with tags às Junho 29, 2009 por Yashmeen

Mais uma notícia sobre o MJ na TV e eu mudo de planeta.

Eu quero lá saber das causas da morte de um tipo que gostava de dormir com meninos. Até podia ser o melhor músico do mundo (eu não gosto, pessoalmente, nem da figurinha, nem do estilinho), mas não deixa de se ter livrado de uma acusação grave por pagar vinte milhões de dólares à família do menino. Tivesse o julgamento ido até ao fim e o caso podia ter sido diferente.

Para além disso, pendurou o filho numa varanda, com a cabeça coberta por um pano, em termos de o asfixiar e de o deixar cair (morte certa para o miúdo), entre outras lindezas da sua curta vida. O dinheiro paga tudo. É uma pena que até o próprio Presidente dos EUA preste homenagem a este tipo. Eu é que devo ser embirrante, porque os ídolos dos americanos não me dizem nada: pegava na Marilim, no Élves e neste da meia branca e metia-os no fundo de um poço (figura de estilo, porque eles afundaram-se sozinhos na vida).

Quero mesmo lá saber de um gajo desses.

Só tenho a dizer que…

Publicado em música with tags às Junho 26, 2009 por Yashmeen

… é um bocado hipócrita agora dizerem que ele era o maior e o rei disto e daquilo, só comparável ao Elvis, quando em vida os media lhe chamaram de tudo. Não que ele não merecesse tudo aquilo que se disse dele… como afirmou o Rafeiro Perfumado no seu Facebook, morreu um excelente artista, mas um péssimo homem.

Por isso mesmo, não tenho nada de bom nem de mau a dizer sobre o Jacko.

PS: Aparentemente dormir numa câmara de oxigénio não prolonga a vida.

O menino só fala espanhol

Publicado em espanha, filho às Junho 23, 2009 por Yashmeen

Aconteceu este fim-de-semana aqui em Espanha numa esplanada onde estavam várias famílias com miúdos, algumas delas portuguesas.

O meu pequeno aproximou-se do grupo e ficamos a ver o que acontecia. Dirigiu-se a um menino português e disse-lhe em espanhol que para a rua não se podia ir porque havia carros. O menino não percebeu nada e perguntou-lhe, em português, o que ele queria dizer. Ele então respondeu, já em voz mais alta: “¡Hay coches en la calle!”.

A criança portuguesa continuou a tentar falar com o meu em português e o meu a responder-lhe em espanhol. Por fim, já meio desconcertado, o português foi explicar ao pai que não percebia o que o menino dizia, mas que o menino o percebia a ele. Gerou-se uma situação caricata e tive que explicar o contexto: o meu filho percebe perfeitamente português, mas não fala, porque os pais são portugueses mas ele vive em Espanha desde que tinha um ano.

Foi a prova de fogo do que me tinha dito o psicólogo da escola: as crianças assumem a primeira língua e só falam a dos pais quando lhes apetece, sem que valha a pena forçar, apesar de terem uma compreensão total de ambas. Pena que muita gente não entenda isto e ache que nós, os emigrantes, é que falamos noutra língua com os filhos para sermos finos.

My favourite band

Publicado em Uncategorized with tags , às Junho 19, 2009 por Yashmeen

Tenho a sensação de que os Depeche Mode vão tornar-se nos novos Rolling Stones. Uma banda que sobrevive há mais de vinte anos e que consegue estar nas preferências de faixas etárias tão díspares, dos 20 aos 50 anos… Tornaram-se uma banda consensual e ainda bem. Eles merecem.

“Strangelove” – 1988 – Depeche Mode

Pensar no que se diz

Publicado em espanha às Junho 18, 2009 por Yashmeen

Um dos grandes motivos da derrota do PSOE em Espanha foi ter colocado na liderança da campanha a ministra Bibiana Aido, que caiu em desgraça perante a opinião pública espanhola por algumas das suas declarações.

Agarrando-se ao título de Ministra da Igualdade, leva o feminismo exacerbado ao ponto de começar um discurso por “Caro miembros y miembras”. Como a palavra “miembras” não existe em espanhol, podem imaginar a bronca que foi…

Depois quis inaugurar uma biblioteca só para mulheres. Sim, tipo menino não entra. Tiveram que lhe lembrar que era ministra da Igualdade, não das mulheres apenas.

A gota de água foi a alteração da lei do aborto para que as mulheres o possam fazer já aos 16 anos sem autorização dos pais. O argumento dela? “Afinal de contas, já podem aumentar o peito sem autorização com essa idade”. Não digo que o conceito em si esteja mal, o argumento é que podia ser melhor

Ainda no mesmo assunto, o que mais chocou os espanhóis foi Bibiana afirmar que, às 13 semanas, o feto não é um ser vivo. Vários cientistas vieram chamar-lhe ignorante em público por isso.

Em suma, esta andaluza de 30 anos é uma das grandes responsáveis pela queda de Zapatero nas estatística de tendência de voto. Há certas escolhas políticas que são verdadeiros tiros no pé e uma executiva de sucesso, jovem e bonita também pode ser um grande poço de disparates.

Dias de sol

Publicado em trabalho with tags , às Junho 17, 2009 por Yashmeen

Tenho sempre a sensação de que as pessoas aproveitam o início do Verão para me chatear. É a altura do ano em que tenho sempre um desatino qualquer.

Já disse ao senhor dos horóscopos que vou desistir da astrologia. Ou escrevo o que me apetece ou então não brinco. Vem-me aborrecer com números de palavras e espaços em páginas e essas tangas das revistas quando eu é que sei se a ideia se sintetiza numa frase ou se alarga em dez. Já não se respeita a liberdade do artista.

Não fui talhada para o caminho dos astros. Ou melhor – vou mas é abrir uma linha paga e digo o que quiser às pessoas. Entretanto, tenho que ir ali meter mais umas frases subjectivas nuns textos.

*amuei*

Madame Min zanga-se

Publicado em trabalho with tags às Junho 16, 2009 por Yashmeen

Eu ando a ficar assim fartinha de que o cliente da revista para quem adapto horóscopos me peça para “pôr mais pimenta na coisa” porque os meus horóscopos parece que são muito sérios.

 

Quem é a astróloga aqui, hein?